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27-10-2018

Privação do sono como fator de risco para obesidade

Tanto quanto a epidemia de obesidade, tem crescido o número de indivíduos com privação crônica de sono. De acordo com os resultados de uma pesquisa nacional, cerca de 60% dos brasileiros dormem entre 4 a 6 horas e 75% reconhecem que estão privados de sono. Apesar de variações na definição, considera-se como adequado, para adultos, entre 6 a 9 horas diárias de sono. 

 

Inúmeros estudos observacionais têm descrito uma relação entre ganho de peso com menor duração do sono e também com um sono de qualidade ruim.

 

O indivíduo que dorme pouco apresenta aumento da fome e da vontade por alimentos densamente calóricos, como aqueles ricos em açúcar e gordura, em decorrência da redução dos níveis de leptina e aumento dos níveis de grelina. Além das alterações hormonais, alguns estudos têm sugerido que a privação do sono estimula o centro de recompensa no córtex frontal, fazendo com que o indivíduo sinta mais prazer quando em contato com determinado alimento e, consequentemente, menor controle sobre a ingestão alimentar.

Além disso, permancer mais tempo acordado facilita a busca pelo alimento, o que também contribui para o aumento da ingestão calórica. 

 

Ainda, dormir pouco bem como ter um sono fragmentado aumenta a sensação de cansaço e indisposição, reduzindo a probabilidade de o indivíduo engajar-se em atividades que aumentem o gasto calórico, como o exercício físico programado e as atividades de lazer.

 

As alterações hormonais identificadas em indivíduos com privação crônica do sono podem comprometer o metabolismo basal ou de repouso, um dos principais componentes do gasto energético total, relacionado à quantidade de energia necessária para o funcionamento do organismo em repouso.

 

A figura abaixo resume os principais mecanismos relacionados ao aumento de peso em indivíduos com privação de sono:

 

Por fim, a privação crônica de sono leva à redução da produção de melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal e que é necessário para a síntese e ação da insulina. Dessa forma, a redução da secreção de melatonina está associada a alterações metabólicas que predispõem a um maior risco de diabetes e ganho de peso. 

 

 

 

Referências:

1. The role of sleep duration in the regulation of energy balance: effects on energy intakes and expenditure. J Clin Sleep Med. 2013 Jan 15;9(1):73-80

2. Acute sleep deprivation enhances the brain's response to hedonic food stimuli: an fMRI study. J Clin Endocrinol Metab. 2012;97:E443–7

3. Short sleep duration and weight gain: a systematic review. Obesity (Silver Spring). 2008 March ; 16(3): 643–653

 

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